sexta-feira, 4 de março de 2011
Matéria no jornal boliviano Eldeber
Fotógrafos brasileños se aventuran a Bolivia
La librería Ateneo recibirá este lunes, a las 17:00, a fotógrafos brasileños que llegarán desde Cuiabá (Brasil) para emprender el Proyecto Paralelo 15, que consiste en una expedición de 30 días por Bolivia. Recorrerán 5.000 Km por tierra y registrarán su aventura en fotografías que serán publicadas en un libro. Mario Friedländer comanda el viaje.
Matéria publicada na Revista Sina
Expedição busca dar visibilidade à comunidade Afroboliviana
"Queremos ser mais visíveis que nunca, através de nosso Rei, para que o mundo inteiro saiba fora de nossas fronteiras que a Bolívia não é um país somente de indígenas." O clamor de Marta Inofuentes serviu de estopim para que o fotógrafo Mário Friedlander, acreditasse na idéia que já vinha sendo plantada pelo seu amigo Luca Spinoza, jornalista Chileno, radicado na Bolívia. A partir daí, a idéia de apresentar ao mundo a comunidade Afroboliviana, fazendo um paralelo com a comunidade negra que vive no Vale do Guaporé, na divisa com a Bolívia, virou projeto e ganhou a adesão do guia de Ecoturismo e produtor cultural Hélio Caldas.
Friedlander e Caldas, a bordo de um carro fechado com tração 4x4, iniciam a expedição rumo à região dos Yungas, localizada a aproximadamente 90 km a Leste de La Paz, capital boliviana. Em Santa Cruz de La Sierra, Luca Spinoza se junta aos expedicionários.
A expectativa é que a equipe enfrente alguns entraves burocráticos nas fronteiras, bem como problemas de infraestrura no transporte, pois a Bolívia enfrenta um período de chuvas muito intensas que bloqueiam inúmeras estradas principalmente na região a ser percorrida. Além disso, a Bolívia passa por um momento de agitação política, a exemplo da "Crise do Açúcar".
No entanto, apesar das dificuldades que possam vir a enfrentar, os membros do Projeto Paralelo 15 estão firmes no propósito de dar visibilidade aos Afrobolivianos que vivem na região dos Yungas, e representam cerca de 0,5 % da população daquele País. “Vila Bela da Santíssima Trindade (primeira capital mato-grossense, localizada no Vale do Guaporé) é uma pequena África dentro de Mato Grosso, está no Paralelo 15 e é fronteira com a Bolívia. Essas duas comunidades viveram isoladas por muito tempo e as origens são as mesmas. Então o que a gente pretende também é colocar as duas comunidades em contato”, explicou Friedlander.
Durante aproximadamente 30 dias a equipe vai documentar também os grupos culturais de Afrobolivianos no Carnaval de Oruro, a maior e mais importante manifestação cultural da Bolívia. O trajeto a ser percorrido nesta primeira é de aproximadamente 5 mil quilômetros. No percurso, a equipe vai enfrentar a célebre e perigosa “Estrada da Morte”, uma precária estrada de chão, com alto índice de acidentes, que dá acesso as comunidades negras da Bolívia.
Esta primeira etapa, segundo Friedlander, servirá de base para o projeto, pois será o momento de estabelecer vínculo com a população e colher informações e registros fotográficos. O projeto prevê ainda mais três etapas, que resultarão em vários produtos finais, a exemplo de livros, exposições fotográficas e elaboração de relatórios.
A República Boliviana – Impressões e sensações
“A Bolívia é o Tibet da América e nós brasileiros a tratamos como os americanos tratam o México”, com essas comparações, o fotógrafo Mário Friedlander definiu a sua admiração pelo País vizinho e a sua decepção pela forma como ele é visto pela maioria da população brasileira.
O fotógrafo lamenta que muitos brasileiros ainda mantenham uma visão preconceituosa em relação à Bolívia. “A espiritualidade, o clima, a altitude da região, é um País maravilhoso, que mantém a sua origem indígena e é muito mais desenvolvido em alguns pontos do que nós brasileiros acreditamos. A população é extremamente politizada. Cada vez que volto à Bolívia eu reforço essa visão”, ressalta.
A paixão pela Bolívia teve início na década de 80, quando Mário Friedlander fez sua primeira viagem ao país vizinho. Das muitas experiências vividas e sensações experimentadas, Friedlander destaca as duas vezes em que percorreu a pé a rota que fará a bordo do veículo 4x4. Também conhecido como “El camino Del Taquesi”, é o caminho pré-colombiano mais preservado da Bolívia.
Já em relação ao Vale do Guaporé, Mário fala com ainda mais propriedade. “Passei muitos anos em Vila Bela da Santíssima Trindade e desenvolvi um trabalho muito intenso nessa região”, finalizou.
Parcerias - “Não temos recursos, por isso precisamos de parceiros”. Essa é a realidade dos membros do Projeto Paralelo 15. Conscientes de que uma iniciativa dessa magnitude não se viabiliza sem parceiros que acreditem na sua importância e relevância social, a equipe tem conseguido apoios importantes tanto no Brasil quanto na Bolívia.
Essas parcerias podem ser conhecidas ao acessar o blog do projeto (www.projetoparaleloquinze.blogspot.com). Também através da página na Internet, é possível acompanhar todo desenvolvimento do projeto. A intenção dos expedicionários é alimentar as mídias digitais com notícias diárias a respeito dessa primeira viagem.
Para o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), noticiar a realidade que o projeto pretende mostrar, através de textos e fotos, é mostrar a complexidade cultural da América Latina. “Pelo respeito às minorias, para potencializar a voz de todos e todas, em favor da cultura de todos os povos, o Sindjor se compromete a ajudar na divulgação desse projeto, de grande valor jornalístico e social”, declarou a direção da entidade.
Publicada: Sex, 04 de Março de 2011 16:09
Publicada: Sex, 04 de Março de 2011 16:09
Por: Márcia Raquel, Sindjor-MT - Fotos: Mário Friedlander
Fonte: http://www.revistasina.com.br/portal/cultura/item/100-expedi%C3%A7%C3%A3o-busca-dar-visibilidade-%C3%A0-comunidade-afroboliviana
quinta-feira, 3 de março de 2011
Diário de Bordo - 3 de março de 2011
Começamos o dia bem cedo, empurrando o carro para ver se funcionava, como não deu certo o Luca levou a bateria até Cochabamba que ficava a 57 km de distância pra dar uma carga.
Ficamos eu e Hélio observando o amanhecer na comunidade e o dia a dia dos Quéchuas com diversas atividades de agricultura e no trato aos carneiros e gado, tudo muito simples e sofrido, a comunidade ocupa uma área entre montanhas onde cada espaço é aproveitado para a agricultura, trabalham em núcleos familiares e os filhos sempre acompanham e obedecem aos pais.
Logo cedo a mesma família da noite voltou para carregar o jumento, desta vez estavam mais sóbrios e com nossa ajuda, rapidamente a tarefa foi cumprida e foram muito educados conosco.
Acompanhamos um agricultor que morava perto de onde paramos o carro para colher os frutos da Tuna, ele se deixou fotografar, o que não é nada comum por aqui. A Tuna é o fruto de um cacto igual a palma do nordeste brasileiro. O fruto é coberto de pequenos espinhos que são retirados depois da colheita que é realizada bem cedo quando os espinhos saem fácil, os frutos são levados para os mercados das grandes cidades onde são vendidos em toda parte.
Por volta da hora do almoço o Luca retornou com a bateria carregada, conseguimos fazer o carro funcionar e seguimos para Cochabamba atravessando vales íngremes cobertos de flores amarelas e pequenas comunidades penduradas nas montanhas.
Cochabamba é uma grande cidade com avenidas que tem até 12 faixas e 2 ciclovias, muito comércio e morros cobertos por pequenas casas que lembram muito a paisagem das favelas cariocas, é considerada a Capital Gastronômica da Bolívia.
Conseguimos arrumar nosso carro e no final da tarde partimos para Oruro que fica a pouco mais de 200 km numa estrada com a paisagem muito perturbada e diferente.
Continuamos a estrada que subia sem parar numa versão segura e asfaltada da estrada que fizemos anteriormente e desfrutamos de paisagens muito impressionantes, com vales profundos e grandes altitudes. A partir dos 4000 metros de altitude pegamos uma chuvarada que se transformou numa nevasca fraca e muitas pedras caíram sobre a estrada, ao anoitecer passamos por La Cumbre a 4500 metros de altitude e a partir daí fomos descendo até Oruro que fica a 3700 metros, onde nos alojamos na casa de Dom Rene Vergara Albort, Presidente Vitalício da Confederacion Nacional de Danzas Folkloricas de Bolívia e Presidente da Camara Departamental de Hoteleria de Oruro.
Finalmente depois de 40 horas que saímos de Santa Cruz vamos poder tomar banho, escovar os dentes e dormir numa cama, e assim terminou nosso oitavo dia de jornada.
Texto e Fotos: Mario Friedlander
Ficamos eu e Hélio observando o amanhecer na comunidade e o dia a dia dos Quéchuas com diversas atividades de agricultura e no trato aos carneiros e gado, tudo muito simples e sofrido, a comunidade ocupa uma área entre montanhas onde cada espaço é aproveitado para a agricultura, trabalham em núcleos familiares e os filhos sempre acompanham e obedecem aos pais.
Logo cedo a mesma família da noite voltou para carregar o jumento, desta vez estavam mais sóbrios e com nossa ajuda, rapidamente a tarefa foi cumprida e foram muito educados conosco.
Acompanhamos um agricultor que morava perto de onde paramos o carro para colher os frutos da Tuna, ele se deixou fotografar, o que não é nada comum por aqui. A Tuna é o fruto de um cacto igual a palma do nordeste brasileiro. O fruto é coberto de pequenos espinhos que são retirados depois da colheita que é realizada bem cedo quando os espinhos saem fácil, os frutos são levados para os mercados das grandes cidades onde são vendidos em toda parte.
Colheita de Tuna
Colheita de Tuna
Por volta da hora do almoço o Luca retornou com a bateria carregada, conseguimos fazer o carro funcionar e seguimos para Cochabamba atravessando vales íngremes cobertos de flores amarelas e pequenas comunidades penduradas nas montanhas.
Cochabamba é uma grande cidade com avenidas que tem até 12 faixas e 2 ciclovias, muito comércio e morros cobertos por pequenas casas que lembram muito a paisagem das favelas cariocas, é considerada a Capital Gastronômica da Bolívia.
Conseguimos arrumar nosso carro e no final da tarde partimos para Oruro que fica a pouco mais de 200 km numa estrada com a paisagem muito perturbada e diferente.
Continuamos a estrada que subia sem parar numa versão segura e asfaltada da estrada que fizemos anteriormente e desfrutamos de paisagens muito impressionantes, com vales profundos e grandes altitudes. A partir dos 4000 metros de altitude pegamos uma chuvarada que se transformou numa nevasca fraca e muitas pedras caíram sobre a estrada, ao anoitecer passamos por La Cumbre a 4500 metros de altitude e a partir daí fomos descendo até Oruro que fica a 3700 metros, onde nos alojamos na casa de Dom Rene Vergara Albort, Presidente Vitalício da Confederacion Nacional de Danzas Folkloricas de Bolívia e Presidente da Camara Departamental de Hoteleria de Oruro.
Finalmente depois de 40 horas que saímos de Santa Cruz vamos poder tomar banho, escovar os dentes e dormir numa cama, e assim terminou nosso oitavo dia de jornada.
Texto e Fotos: Mario Friedlander
Potosí - Patrimônio da Humanidade, Bolívia
A descoberta do minério rico em prata de Cerro Rico pelo indiano Diego Huallpa em 1544, levou a fundação da cidade de Potosí em 10 de abril de 1545 no sopé do morro. A cidade nasceu sob o nome de Vila Imperial de Carlos V, em honra do então rei espanhol Carlos V. Seu fundador foi Juan de Villarroel.
A escavação em larga escala começou de imediato e a primeira remessa de prata foi enviada à Espanha. Em 1672, uma casa da moeda foi criada para a moeda de prata e reservatórios de água foram construídos para atender às necessidades da população em crescimento. Naquele momento, mais de oitenta e seis igrejas foram construídas e população da cidade aumentou para quase 200 mil, tornando-se uma das cidades mais ricas e a maior na América Latina e no mundo.
Durante o início do século 19, as lutas pela independência causaram saques a muitas igrejas. Então, a riqueza da cidade foi removida para a Europa ou para outras partes do reino espanhol. Até então a população caiu para menos de 10.000. Na época da independência, em 1825, as minas do Cerro Rico estavam praticamente esgotadas. Em meados do século 19, uma queda nos preços da prata de Potosí, prejudicaram a economia de um modo do qual nunca se recuperou completamente.
Em 11 de dezembro de 1987 (em Paris, França), a UNESCO declarou a cidade de Potosí um "Patrimônio da Humanidade", em reconhecimento pela sua rica história e sua riqueza de arquitetura colonial.
Em novembro de 1996, segundo dados do Instituto Nacional de Estadística (INE), Potosí tinha uma população de 121.097 habitantes.
Fotos: Mario Friedlander
Fonte: Bolivia Web Interactive
A escavação em larga escala começou de imediato e a primeira remessa de prata foi enviada à Espanha. Em 1672, uma casa da moeda foi criada para a moeda de prata e reservatórios de água foram construídos para atender às necessidades da população em crescimento. Naquele momento, mais de oitenta e seis igrejas foram construídas e população da cidade aumentou para quase 200 mil, tornando-se uma das cidades mais ricas e a maior na América Latina e no mundo.
Durante o início do século 19, as lutas pela independência causaram saques a muitas igrejas. Então, a riqueza da cidade foi removida para a Europa ou para outras partes do reino espanhol. Até então a população caiu para menos de 10.000. Na época da independência, em 1825, as minas do Cerro Rico estavam praticamente esgotadas. Em meados do século 19, uma queda nos preços da prata de Potosí, prejudicaram a economia de um modo do qual nunca se recuperou completamente.
Em 11 de dezembro de 1987 (em Paris, França), a UNESCO declarou a cidade de Potosí um "Patrimônio da Humanidade", em reconhecimento pela sua rica história e sua riqueza de arquitetura colonial.
Em novembro de 1996, segundo dados do Instituto Nacional de Estadística (INE), Potosí tinha uma população de 121.097 habitantes.
Fotos: Mario Friedlander
Fonte: Bolivia Web Interactive
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