Paralelo 15 - Em busca dos Afrobolivianos


Nesta época de chuvas, despencam centenas de finas cachoeiras do alto das montanhas e toda a estrada é margeada de pequenas e vívidas flores amarelas e muito lixo jogado dos carros e ônibus, apesar disso, a exuberância da paisagem é tamanha que nosso olhar acaba deletando o lixo e as muitas linhas de energia que atravessam os vales empobrecendo um pouco o visual.
Muitas vans carregadas de turistas e bicicletas se encaminham até La Cumbre e de lá os grupos partem liderados por guias locais numa descida vertiginosa em velocidade e visual rumo a "Estrada da Morte" ou a estrada antiga que leva a Coroico.
Por volta de metade do caminho, começamos a descer muito e o clima e a vegetação começam a mudar, aos poucos a floresta começa a dominar as montanhas e o calor a perturbar nossa tranquilidade.
Estamos nos Yungas, região tropical de altitude com muita umidade e vegetação exuberante, onde o café, as laranjas e muitas outras frutas e principalmente a coca crescem como em nenhuma outra parte da Bolívia.
Paramos num mirante de onde se avista Coroico pendurada no alto de uma grande montanha coberta de floresta e de pequenas plantações e vemos a famosa "estrada da morte", hoje utilizada quase que exclusivamente por moradores locais e para atividades de turismo, principalmente para descida de bike.

Nossa equipe conta com dois parceiros de La Paz, a Giovanna Gonzales que além de arquiteta e professora, trabalha em projetos de manejo e proteção de bacias hidrográficas através da Fundação EcosVida Bolívia e o Edgar Gemio, jovem Afroboliviano, que aos 25 anos demonstra uma maturidade e articulação que nunca encontrei em lideranças pelo Brasil. Edgar é nossa senha de entrada segura nas comunidades afrobolivianas dos Yungas, ele é natural de Tocana, localizada nas proximidades de Coroico e como militante ativo do movimento afro, conhece todos os caminhos e todas as cabeças da área e de La Paz.

Após uma breve introdução feita pelo Edgar, o Rei e sua esposa nos recebem respeitosamente e conhecem detalhes de nosso projeto, aos poucos vamos estabelecendo um contato mais informal e confiante e após fazermos algumas fotos, marcamos outro dia para realizarmos uma entrevista e produzirmos a foto oficial do único Rei da América Latina.
Saímos em direção a outra comunidade Afroboliviana e paramos em Yarisa onde o pessoal de Chuchipja dança a Saya Afroboliviana, uma dança que atualmente define a identidade dos Afro na Bolívia.
Encontramos muitas pessoas que contatamos em Oruro e que não levaram a sério nosso compromisso de chegar a suas comunidades, isso tornou a recepção mais calorosa e informal e pudemos acompanhar parte da festa do "Domingo de Tentaciones" ou seja, o encerramento oficial de Carnaval em toda a Bolívia.

Saímos em direção a outra comunidade Afroboliviana e paramos em Yarisa onde o pessoal de Chuchipja dança a Saya Afroboliviana, uma dança que atualmente define a identidade dos Afro na Bolívia.
Encontramos muitas pessoas que contatamos em Oruro e que não levaram a sério nosso compromisso de chegar a suas comunidades, isso tornou a recepção mais calorosa e informal e pudemos acompanhar parte da festa do "Domingo de Tentaciones" ou seja, o encerramento oficial de Carnaval em toda a Bolívia.

Em função das chuvas, tivemos que sair logo e ir finalmente a Coroico, uma cidade de médio porte, considerada o primeiro município turístico da Bolívia.
Percorremos as apertadas e escarpadas estradas até nos alojarmos no Hotel La Finca, situado a 7 km da cidade e que será nossa base nesta viagem.
Assim terminou nosso 17º dia de jornada pela Bolívia em busca dos Afrobolivianos.
Publicada: Seg, 21 de Março de 2011 16:13
Texto e Fotos: Mário Friedlander
Fonte: http://www.revistasina.com.br/portal/cultura/item/214-13-de-mar%C3%A7o-de-2011-em-busca-dos-afrobolivianos
Nenhum comentário:
Postar um comentário