terça-feira, 26 de julho de 2011

Ruína da Antiga Matriz de Mato Grosso em Vila Bela da Santíssima Trindade






Ruína da Antiga Matriz de Mato Grosso em Vila Bela da Santíssima Trindade com sua cobertura para proteção das paredes de adobe, apesar de recente a obra foi entregue inacabada a comunidade, não existe um plano de uso público, nem manutenção da cobertura, o resultado evidente é a proteção parcial da estrutura contra a chuva, mas não contra vandalismo nem visitação não monitorada, além disso, a cobertura funciona como uma estufa, causando um ressecamento dos adobes e da estrutura em geral e fornece abrigo para pombos e pardais, aves exóticas muito prejudiciais a saúde humana e a conservação dos monumentos históricos. As telhas plásticas, feitas na França inclusive com filtro UV estão se soltando com o vento e não são repostas, a pintura está desbotando e a falta de sinalização adequada, assim como a falta de uma trilha calçada, conduzindo o visitante e seu olhar, estão desvalorizando este patrimônio nacional.


A ruína e sua cobertura já em ruínas.
Texto e Fotos: Mario Friedlander

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Diário de Bordo 06 de junho 2011 - Cachoeira do Jatobá

Cachoeira do Jatobá na época das chuvas

Acordamos bem cedinho para concluirmos nossa ida ao Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, nosso objetivo principal era vermos as condições atuais da cachoeira mais alta de Mato Grosso e assim fizemos.
Com o Divino completamente recuperado e tendo observado o volume de água dos rios do Parque, decidimos não acampar no topo da cachoeira, mas sim fazer um esforço maior subindo e voltando do Jatobá no mesmo dia.

Sinalização turística irregular no Parque Estadual

Saímos da Vila Bela e fomos seguindo até a entrada da Cascata dos namorados, a partir daí, apesar de conhecermos o caminho, deixamo-nos guiar por uma sinalização nova na Vila, alguém pintou algumas pedras de rio e na estrada, indicando a direção da Cachoeira do Jatobá, a primeira pedra pintada fica no meio do leito do rio da Cascata dos Namorados, depois cruzamos por outra "placa de pedra" ao longo da estrada de terra, passamos por um pequeno sítio na margem direita do Rio Jatobá e vimos que criaram um novo empreendimento turístico explorando o cânion do Jatobá e outras cinco cachoeiras, além de abrirem uma trilha nova no Parque e pintarem algumas pedras para indicar o caminho. As vezes pessoas bem intencionadas promovem mais danos que as pessoas que simplesmente ignoram o valor da natureza, mas nada disso é relevante depois de ver tantos milhares de hectares de Floresta derrubados dentro do Parque, café pequeno, diria meu avô.

Cachoeira dos Macacos na época das chuvas

Cachoeira dos Macacos durante nossa visita

Voltamos a fazer a trilha antiga que sobe a Serra e depois de alguma dificuldade chegamos a travessia do Córrego dos Macacos, acima de uma sequência de cachoeiras, a partir daí, encontramos a trilha que vem de dentro do cânion e do empreendimento citado a pouco e depois de cruzarmos mais duas "placas de pedra" entramos na trilha antiga de cima, que agora encontra-se bem aberta, ou porque está sendo muito utilizada ou porque tem havido um esforço concentrado em mantê-la limpa para facilitar a visitação.

Cânion e Cachoeira do Jatobá durante nossa visita

Seguimos em meio ao sol escaldante e muito seco e fomos até o Mirante da Cachoeira dos Macacos a cerca de 800 metros da Cachoeira do Jatobá, um fio de água despencava do paredão com cerca de 80 metros de queda livre, descansamos um pouco e continuamos até chegar ao cânion da Cachoeira mais alta de Mato Grosso, é emocionante estar neste lugar, muito visual, cores quentes e aquela coluna de água caindo e formando arco-íris e sons, mesmo com muito pouca água a cachoeira impressiona e impõe respeito, são pelo menos 250 metros de queda livre numa paisagem perfeita, contornamos o paredão, atravessamos o rio e procuramos um bom lugar para bivacar, recolher água e tomar um banho, depois é o de sempre, bater ponto com o GPS, produzir fotos, procurar sinais de fauna e algum vestígio arqueológico e recolher o lixo que dessa vez, pasmem, não encontramos.



Depois de tomar um lanche espartano, arrumamos os equipamentos e percorremos a mesma trilha no sentido inverso, no total, serão 10 km de caminhada e desta vez, leves e com a trilha fácil, duas horas e meia depois estávamos de volta ao carro e iniciamos o regresso a querida Vila Bela, esta noite iremos comemorar os quarenta anos do Ticó, um personagem emblemático de Vila Bela e por acaso, meu vizinho de casa na Rua Pouso Alegre, e a comemoração será no mais tradicional estilo Vilabelense, Peixes assados (Tambaqui, Dourado, Tucunaré), Caldo de Pintado, e Carne de gado assada, regada a muita cerveja e pagode ao vivo com o próprio pessoal da Vila.

Rio Jatobá acima da cachoeira, com pouca água e muitas micro-flores brancas

Ao final, constato que a degradação da natureza continua por toda a parte, inclusive dentro do Parque Estadual, já esteve pior, mas poderia estar muito melhor e podemos fazer muito pouco para mudar esta realidade.

Rio Jatobá acima da cachoeira, com pouca água e muitas micro-flores brancas

Em julho estaremos de volta para participar da Festança de Vila Bela e tenho que admitir que saio da Vila com o coração pesado, gostaria de ficar muito mais tempo, mas a continuidade de nosso projeto depende exclusivamente da energia e do esforço que fizermos em busca de apoio dos parceiros e amigos.

Texto e Fotos: Mario Friedlander

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Diário de Bordo 05 de junho 2011 - No topo da Cascata dos Namorados


Dia Mundial do Meio Ambiente, pleno domingão em Vila Bela, nenhuma atividade a vista, acordamos bem cedo, arrumamos nosso equipamento e junto com o Divino Vilas Boas, já recuperado vamos a sede do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, situada a cerca de 12 km de Vila Bela.


A sede do Parque é composta de algumas casinhas sem nenhuma arquitetura ambientalmente ou culturalmente relevante, localizam-se na área com maior uso público do Parque, a região da Cascata dos Namorados, da Cascatinha e do Poção onde muita gente de Vila Bela, de Pontes e Lacerda e outras cidades e assentamentos próximos vem tomar banho, fazer churrasco, pescar lambaris, ouvir som alto e descansar junto a natureza.


O volume de água do rio está baixo, mais que o normal para esta época do ano, mas seguimos em frente mesmo assim, subimos uma trilha utilizada por muitos como banheiro e enfrentamos uma subida super íngreme cortando as curvas de nível no meio da mata seca fechada, vamos em busca do topo da Cascata, local pouco visitado pela dificuldade de acesso e pela falta de atrativos, uma vez  que o Poção e a Cascata dos Namorados são lugares de grande beleza , fácil acesso e muito adequados ao uso público para lazer.


Percorremos os 1800 metros de trilha muito ruim até que o último e pior trecho nos leva ao leito rochoso do rio na parte alta da Cascata, o esforço é amplamente recompensado pela vista da área e pelos banhos nas pequenas piscinas naturais com água gelada e muito limpa.


Produzimos fotos bem no topo da Cascata e logo somos recepcionados por um grupo de Araras vermelhas que curiosas, vem conferir o movimento anormal na área.

Apesar do acesso difícil e da pouca visitação, observamos o topo da Cascata todo pichado com tinta azul e branca e algumas cordas amarradas no abismo, coisa de aventureiros irresponsáveis, não encontramos lixo nem sinais perturbadores da presença humana e resolvemos subir o rio para explorar a área.
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A subida se faz no próprio leito rochoso do rio que está com pouca água, as vezes nas grandes lajes de pedras, as vezes pulando e equilibrando-se sobre elas, encontramos duas cachoeirinhas deliciosas e mais acima a o acesso interrompido por uma árvore que caiu, ficamos por ali mesmo e constatamos que a qualidade ambiental e cênica da área ainda é muito boa, pelo menos está grata surpresa para comemorar o dia Mundial do Meio Ambiente.


Tomamos um lanche e um banho revigorante e iniciamos o retorno pela acidentada trilha, ao chegarmos próximos ao Poção, já escutamos o som alto dos carros e o cheiro de fumaça e carne assada, completamos a trilha e vamos embora logo, melhor não estragar a sensação boa que tivemos no alto da Cascata.


Texto e Fotos: Mario Friedlander